quinta-feira, 25 de abril de 2013

EXPEDIÇÃO POVOS ANDINOS

PERU - CHILE - BOLÍVIA - ARGENTINA - PARAGUAI

16 DE FEVEREIRO - 15 DE MARÇO

2013


INTRODUÇÃO:

Antes de iniciar o relato de nosso dia a dia, gostaria de fazer alguns comentários sobre a Expedição Povos Andinos.
Para nossa expedição realizamos um planejamento detalhado, que incluíram previsão de gastos, compra antecipada de moeda estrangeira, mapas, locais para hospedagem, postos de gasolina e todos os documentos necessários para o trânsito em outros países.
Para traçar a rota usei o Google Maps, Google Earth,  Wikimapia, baixei os mapas nos sites dos ministérios dos transportes de cada país (exceto Argentina e Paraguai que foram via Google mesmo) e para o Brasil usei o site do DNIT (os mapas do Google contém falhas).
Abaixo segue os links para baixar os mapas:
-Chile: www.mop.cl
-Bolívia: www.abc.gob.bo
Para procurar hotéis (não para reservar, somente ter ideia de onde procurar) usamos os sites tripadvisor e www.hotelinsite.com.br (ótimo para buscar pequenos hotéis ou hotéis em cidades pequenas).
Para os gastos usamos planilhas em excel, após busca de valores na internet.
Link: Planilha de gastos e distâncias
Localizamos os postos de gasolina no Brasil pelo site www.maplink.com.br e para fora do país usamos o google.
Os documentos necessários para cruzar as fronteiras são: RG com menos de 10 anos de emissão (melhor usar o passaporte), CLA original em seu nome para o veículo, Carta Verde (para os países do Mercosul) e SOAT (para o Peru). Antes de sairmos ligamos em nosso seguro (Porto Seguro) e fizemos a extensão de cobertura para o Mercosul no valor de R$67 (Peru e Bolívia não possuem cobertura), já que a Carta Verde é para terceiros e não para seu veículo. Fizemos também o seguro viagem no Itaú, para cobertura médica até R$20000, no valor de R$127.
 Realizamos compra antecipada de pesos chilenos e argentinos, porém não é necessário, leve o suficiente de dólares e troque nas fronteiras.
As “carreteras” dos países hermanos são muito boas em geral e não cobram pedágio. As BRs são uma lástima, entretanto as rodovias estaduais são bem melhores, mas as paranaenses cobram pedágio de forma abusiva.
Ao contrário de alguns relatos que vimos na internet, não sofremos qualquer tipo de abuso policial (inclusive por parte da Polícia Caminera), muito pelo contrário e só tivemos problema neste sentido na imigração paraguaia. 
Nós iniciamos a expedição no dia 16 de fevereiro e encerramos no dia 15 de março. Percorremos 11016km com as motos, total de 11618km incluindo outros meios de transporte, conhecemos cinco países e o principal, realizamos um SONHO.
Obrigado aos amigos e familiares que nos deram apoio e ficaram torcendo por nós. Principalmente a minha esposa Priscila que me concedeu o “alvará” e compreende minhas manias aventureiras.
Deixo agora a conclusão que cheguei durante conversa com dois motociclistas Lituanos que encontrei no Peru: “Sou louco? Talvez! Mas sou um louco feliz!”.
Espero que apreciem nossa expedição. 

HUDSON ROSA 





1ºDIA- VOTORANTIM – JATAÍ/GO.

DATA:16FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 998Km.

Era dia 15 de fevereiro, faltava só mais um dia para a saída de nossa expedição e passei o dia todo montando as bagagens na moto. Coloca coisa, tira coisa, ajeita coisa, desajeita coisa, quem já fez viagens longas de moto sabe o que estou falando, é chato e cansativo.
Como Tereza (forma carinhosa de nos referirmos a Ténére250) fica guardada na casa de meus pais e sairíamos muito cedo, aproveitei e dormi na casa deles.
Chegou o grande dia, o primeiro dia de um grande sonho, conquistar, por si, o continente em duas rodas. A ansiedade era grande e pouco dormi durante a noite que antecedeu nossa saída.
Pouco antes das quatro da manhã me despedi de meus pais e fui para casa de meus sogros para me despedir de minha esposa.
Chegando à praça central de Votorantim, encontrei meus parceiros de aventuras, Luciano Garcia e Xirlele (forma carinhosa de nos referirmos a XRE300), já a minha espera. Para nossa alegria nossos amigos “Barba”, Gleidson e Gustavo foram nos desejar boa sorte. Após algumas fotos com nossos amigos, montamos em nossas parceiras e iniciamos o 1º dos 28 dias de Expedição com destino a Caçu/GO.
Hudson Rosa, Gleidson, Gustavo, "Barba" e Luciano Garcia.
Seguimos sentido Campinas, pois iríamos atravessar o estado via Rod. Washington Luiz (pista excelente, com pelos menos duas faixas de rolamento e sem pedágios- este último de grande importância, pois pedágios atrasam e muito viagens de moto). A Washington Luiz é quase que totalmente duplicada e os trechos de pista simples não atrasaram o ritmo da viagem. Chegamos à divisa com o estado de Mato Grosso do Sul sem qualquer problema e com ótimas estradas.
Adentramos Mato Grosso do Sul e começamos a sentir a diferença nas condições das estradas. O asfalto ruim seguiu até Itajá/GO (primeira cidade ao sul de Goiás), onde paramos para almoçar no restaurante Paladar, aonde tivemos um almoço simples, mas muito bom e com preço módico. Era por volta das 14h e estávamos à somente 74 quilômetros de Caçu/GO, portanto decidimos esticar nosso primeiro trecho até Jataí/GO, que ficava a mais 200 quilômetros.
Seguimos pela GO-184, com asfalto muito bom e pista simples. Por volta das 18:30h chegamos em Jataí/GO, e começamos a procurar algum hotel para dormir. Encontramos o Hotel Califórnia, com diária no valor de R$80,00 para duas pessoas, wi-fi, com ar condicionado digital e estacionamento fechado (como o estacionamento era descoberto, pedimos para guardar as “meninas” no saguão do hotel). Pedimos uma pizza, conversamos com as esposas via net e fomos dormir, afinal quase 1000Km no lombo de uma moto é muito cansativo. 
  

2ºDIA- JATAÍ/GO – BARRA DO BUGRES/MT.

DATA: 17FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 790Km.

Acordamos cedo, tomamos um bom café da manhã e seguimos sentido a Cuiabá ou mais já que estamos adiantávamos adiantados no cronograma. 
Seguimos inicialmente pela BR-364 até Alto Garças/MT com estrada em condições ruins, mas isso estava para mudar radicalmente e para pior.
A partir de Alto Garças seguimos sentido Rondonópolis/MT ainda na BR-364, também conhecida como capital do “Bitrem”.  Se nós achamos que o trecho anterior estava ruim, o inferno nos esperava. O trecho de Alto Garças à Jaciara/MT está em situação deplorável, há mais buracos que asfalto e junte-se a isso uma quantidade absurda de “bitrens”. A cada pequeno trecho percorrido, víamos carros passeio com pneus furados ou rodas quebradas. Ao fim dos 11000km não veríamos nada em pior estado de conservação que a BR-364, uma vergonha.
Após 215Km na infernal e lotada BR-364, chegamos a Jaciara, o asfalto melhorou um pouco e o trafego também diminuiu até Cuiabá/MT, mas a estrada ainda era muito ruim.
Chegando a Cuiabá ficou a dúvida, seguiríamos para o norte via Cáceres ou via reserva indígena (MT-255, com pedágio indígena inclusive). Informamos-nos com alguns viajantes e eles nos disseram que via reserva indígena o asfalto era novo, mas a estrada era mais sinuosa. Sinuosa? É como gostamos.
De Cuiabá seguimos para Barra do Bugres/MT via MT-246 com asfalto muito bom e pista simples. Durante o trajeto paramos para nos informar sobre as condições da estrada com policiais rodoviários e durante a conversa fomos informados que o melhor jeito de chegar a Cuiabá é via Chapada dos Guimarães, que apesar de ter um trajeto maior, possui asfalto muito bom e pouco trafego.
Por volta de 21:00h chegamos em Barra do Bugres/MT após 790km de péssimas estrada. A cidade é de porte médio, bem no coração do Mato Grosso. Hospedamos-nos no Hotel Gaúcho, com diária no valor de R$85 para duas pessoas, estacionamento fechado, wi-fi e ar condicionado.
O dia foi muito difícil em razão do forte calor e das péssimas estradas, inclusive queimando as palmas das mãos do Luciano Garcia, mesmo com luvas.
Mãos do Luciano após longo dia de calor.



3ºDIA- BARRA DO BUGRES/MT – PIMENTA BUENO/RO.

DATA: 18FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 765Km.

Acordamos cedinho e como havíamos abastecido as “meninas” quando chegamos, seguimos direto para Mato Grosso adentro sentido Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e MT-255. De Tangará da Serra à Campo Novo a estrada tem alguns trechos ruins.
Colheitadeiras em Campos de Julio/MT

Imensas plantação de trigo no MT
Como a MT-255 corta a Reserva Indígena dos índios Paresi, o governo deixo a administração do pedágio para os índios, que cobram R$15 para carro e R$10 para motos. Cabe salientar que o pedágio é algo bem improvisado e os índios são bem simpáticos, contrariando alguns relatos que ouvimos sobre os índios.
Pedágio indígena em Sapezal/MT
Logo que saímos de Barra do Bugres percebemos que a gasolina era de péssima qualidade e as de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis não melhoraram. De Campos Novo à Comodoro/MT são 225km pela MT-255 e mesmo com uma gasolina péssima, conseguiríamos chegar tranquilamente. Entretanto quando saímos da MT-255 e entramos na BR-174, seguimos sentido Vilhena/RO para chegarmos à Comodoro, não sabendo que Comodoro havia ficado à 2km antes deste trevo. Após uns 20km do trevo, a gasolina do Luciano acabou e a minha já estava na reserva a uns 25km. Como sempre levamos corda, providenciamos o reboque da “Xirlene” com a “Tereza” e para nossa sorte após aproximadamente 5km havia um posto de gasolina, bem estranho, quase abandonado. Abastecemos com certo receio, mas não tínhamos alternativa. Para nossa grata surpresa, a gasolina do posto esquisito foi uma das melhores que colocamos no Brasil.
De tanque cheio seguimos até Vilhena/RO e depois até Pimenta Bueno/RO com estrada boa e com o clima alternando entre chuva e sol forte.
Sol e chuva próximo a Pimenta Bueno/RO

Chegamos a Pimenta Bueno/RO por voltas das 19:30h e nos hospedamos no Hotel Nacional, com diária o valor R$80 para duas pessoas, wi-fi, estacionamento e ar condicionado.
   

4ºDIA – PIMENTA BUENO/RO – EXTREMA/RO.

DATA: 19FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 848Km.

Como estávamos adiantados, decidimos sair cedo e tentar chegar à Rio Branco/AC. Tomamos um bom café da manhã e seguimos pela BR-364 sentido Porto Velho/RO.
Logo de cara vimos que seria difícil chegar ao Acre naquele dia. A BR-364 está muito ruim nos 42Km entre Pimenta Bueno e Cacoal/RO. Após Cacoal a estrada alterna entre boa e razoável até Porto Velho/RO.
Depois de Porto Velho/RO seguimos sentido Acre, mas havia uma boa e uma má notícia. A boa notícia era de ótimas estradas e a má? Falta de postos de gasolina. Entre Porto Velho e Extrema/RO somente há locais para abastecimento em Jaci Paraná/RO e Vista Alegre/RO. Em razão da falta de postos, o nosso ritmo diminuiu, para evitar nova pane seca na “Xirlene”.
Cruzando a Amazônia em Abunã/RO
Apesar da falta de combustíveis, o trecho entre Porto Velho/Extrema é lindo, uma estrada que parece ligar nada a lugar nenhum, cortando a Amazônia e com uma travessia de balsa no Rio Madeira que propicia a vista da margem do rio no Brasil e a outra na Bolívia. Este trecho mostrou a nós do sudeste, o quanto o Brasil é grande, diversificado e belo.
Atravessando o Rio Madeira na divisa com a Bolívia - Abunã/RO
Como não podíamos desenvolver um ritmo mais rápido e ainda efetuamos uma travessia de balsa, chegamos por volta de 22h em Extrema/RO, última cidade antes de entrarmos no Acre.
Nos hospedamos no Hotel Rodeio, com diária no valor de R$90 para duas pessoas, estacionamento fechado e coberto, café da manhã e wi-fi.
  

5ºDIA- EXTREMA/RO – PUERTO MALDONADO/PERU.

DATA: 20FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 670Km.

Como pretendíamos chegar a Puerto Maldonado no Peru, saímos as 6h, sem café da manhã, pois a copeira do hotel simplesmente se atrasou e só deus sabe que horas iríamos poder comer.
No dia anterior um caminhoneiro nos deu uma dica. Para não precisaríamos entrar em Rio Branco para acessar a BR-317, alguns quilômetros antes da cidade havia um acesso direto da BR-364 para a BR-317 e foi o que fizemos.
Logo que entramos na BR-317 paramos para tirar a foto clássica da “Estrada do Pacífico” e foi neste momento que o Luciano observou que sua corrente estava muito frouxa. Acertamos a transmissão e seguimos.
Início da Interoceânica - Rio Branco/AC
Cruzando a Selva Amazônica no Brasil - Assis Brasil/AC
As estradas do Acre são muito boas, com pouco tráfego e com uma paisagem muito bonita que alterna entre a criação extensiva de gado e a floresta amazônica. Conseguimos um bom ritmo e chegamos na fronteira com o Peru por volta do meio dia.
No posto de combustíveis da fronteira encontramos uma dupla de mineiros que estavam fazendo um trajeto semelhante ao nosso e um carioca radicado no EUA que vinha de Redmont (próximo a Seattle) e seguia para o Rio de Janeiro.
Fronteira Brasil/Peru

Claudio (Uberlandia/MG), Roger (Uberlandia /MG), Pedro (RJ), Luciano e Hudson - Assis Brasil, divisa com o Peru.
Realizamos a saída do país e paramos na imigração e aduana Peruana na cidade Iñapari.  No local é possível realizar a troca de reais ou dólares por Novo Soles (fizemos com a cambista TUKA) e fazer o “SOAT” (seguro semelhante à Carta Verde no Mercosul) que nos custou R$95 por moto (não é barato, mas é melhor que correr o risco de achaques durante a viagem). Como chegamos na hora do almoço a aduana estava fechada e perdemos por volta de uma hora, porém os funcionários nos trataram muito bem, inclusive nos deixaram colar um adesivo de nossa viagem na aduana deles. Um fato curioso aconteceu com a dupla mineira, um deles levou o documento original errado, não pode entrar no Peru e voltaram para o Brasil para tentar resolver o problema. Mas nossos destinos ainda se cruzariam no futuro.
Com toda burocracia resolvida seguimos pela Interoceânica com destino a Puerto Maldonado. A estrada do lado peruano é até melhor que a brasileira e mantém a floresta amazônica melhor preservada.
Um fato curioso aconteceu quando a estrada foi fechada por funcionários que cortavam uma ENORME árvore moribunda às margens da rodovia. Nós ficamos parados, observando o serviço e logo em seguida sentimos a magnitude da floresta amazônica. Quando a arvore de mais ou menos 100 metros caiu, gerou um tremor no solo a nossa volta que até nos assustou.
Cruzando a Selva Amazônica Peruana - Província de Madre Dios
O trecho até Puerto Maldonado possui muitas lombadas, algumas curvas e um relevo pouco acidentado, já que a cidade se encontra à somente 200 metros acima do nível do mar.
Chegamos em Puerto Maldonado por volta das 20:00h e fomos surpreendidos por uma cidade de grande porte, com um trânsito caótico, composto de muitos carros, motos e MOTOCARS (uma moto 125 com duas rodas atrás e usada principalmente como taxi).
Motocar
 Paramos num bar e pedimos a famosa Inca Kola (tradicional refrigerante peruano) que possui um sabor exótico (para mim lembra aqueles suquinhos que vinham em arminhas, carrinhos, etc, mas com gás).
Coca-cola é coisa do passado, agora a moda é Incakola...sabor Lhama....rsssss
Naquele dia em Puerto Maldonado estava havendo um evento na cidade e os hotéis estavam lotados (a cidade normalmente tem os hotéis cheios, tendo em vista ser um pólo industrial) e com o trânsito maluco tivemos muita dificuldade para encontrar hospedagem.
Por fim, como não achamos nada mais simples, tivemos que ficar no Hotel Puerto Amazônico, com diária no valor de R$240, com café da manhã, wi-fi, serviço de quarto e estacionamento fechado.
Em nosso primeiro dia no Peru observamos que o País é muito pobre, mas o povo é muito alegre, receptivo e sem a violência urbana que estamos acostumados no Brasil.


6ºDIA – PUERTO MALDONADO – URCOS/PERU.

DATA: 21FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 400Km.

Este seria o nosso primeiro dia nos Andes, estávamos ansiosos para ver as belezas tão propagadas da Interoceânica. Abastecemos as motos e verificaríamos que o preço da gasolina (nafta) no peru pouco varia, ficando bem próximo do valor brasileiro.
Saindo de Puerto Maldonado, a interoceânica segue como uma estrada normal e com asfalto excelente, mas após o vilarejo de Mazuco ela se torna única. Este vilarejo se encontra a mais de 1500 metros de altitude e passando por ele é só morro acima.
Província de Madre Dios - Interoceânica

Uma das inúmeras pontes necessárias para cruzar a Amazônia Peruana
Nesta ponte paramos para posicionar a câmera e filmar nossa passagem, quando surgiu essa pequena e curiosa moradora de um vilarejo próximo
Conforme íamos subindo começou a chover e fazer muito frio. A estrada possui muitas curvas fechadas do tipo 180º (tipo de curva que você acaba enjoando no Peru), pouco tráfego e um asfalto perfeito. Durante a nossa subida cruzamos com um caminhão de combustíveis tombado. Em razão da chuva eu não pude ver onde a gasolina havia derramado e quase sofri uma queda, sorte que sou alto e meus pés funcionaram como rodinhas no piso liso com chuva e gasolina.
Cruzar os Andes e curtir suas curvas é uma experiência unica, mas tem seus riscos.
Além das belezas naturais a Interoceânica conta com um número infindável de pontes, necessárias para transpor o acidentado relevo dos Andes. Mas é necessária cautela, pois as estradas nos Andes possuem vários rios que correm acima da pista e não abaixo, gerando um risco grande de queda .
Conforme subíamos, o frio ficava cada vez mais intenso e tivemos que parar para nos agasalhar quando estávamos por volta dos 2000 metros de altitude. O que se seguiu foi uma forte subida com muitas curvas e um frio muito grande misturado com chuva forte.
Rodovia Interoceânica no Peru. Detalhe do Rio Madre Dios que o tempo todo corre ao seu lado e este quando entra no Brasil é chamado de Rio Madeira.
Durante a subida paramos no vilarejo de Marcapata a 3000metros, tiramos algumas fotos e o Luciano sofreu o primeiro bullying das típicas peruanas e pior que eu ajudei. Quando estávamos num mirante em Marcapata, observei uma típica peruana e perguntei se ele não queria tirar uma foto com ela. Coitado, mal perguntou se podia tirar uma foto, a resposta foi: “Quanto me pagas?”, o Luciano ficou meio sem jeito e ela pediu 5 soles (+ou- 4reais) para tirar a foto. Este foi o primeiro bullying que o Luciano sofreria das típicas peruanas.
Povoado de Marcapata um dos mais belos e altos da Cordilheira dos Andes.

Luciano fazendo "amizade" com uma típica peruana em Marcapata, no alto dos Andes
Inicialmente planejamos dormir em Marcapata, mas devido a pouca estrutura e ainda ser cedo, decidimos ir à Urcos no mesmo dia, decisão que se mostrou um erro, pois estávamos muito cansados e com fome.
Durante os 118km entre Marcapata e Urcos atravessamos o pico Abra Pirhuayani à 4725metros de altitude, um frio intenso e começamos a sofre falta de ar em razão da altitude. Incrível como qualquer movimento em grandes altitudes se torna cansativo, o simples descer da moto para tirar uma foto já era motivo para ficar ofegante.
Cruzar os Andes nos proporcionou várias imagens lindas

Uma parada no ponto mais alto da Rodovia Interoceânica a 4725 metros de altitude. Muito frio e respiração ofegante mesmo em repouso. 
A noite logo caiu, o frio se tornou congelante  e a chuva não dava trégua. Eu seguia a frente e passei a notar que o Luciano, mesmo em baixa velocidade não conseguia me acompanhar. Chegamos em Urcos por volta das 21h, com muito frio e com roupa e equipamento molhados. Perguntamos sobre a “Plaza de Armas” (toda cidade peruana tem a principal praça com esse nome, em razão de uma lei federal que determina a criação de uma praça para o hasteamento da bandeira nacional e canto do hino, o que é feito pelos militares, daí o nome “Plaza De Armas”) e chegando na praça o Luciano pediu para eu procurar um hotel, pois estava exausto e sem forças para andar. Devido ao cansaço o Luciano deitou na calçada da praça e eu fui procurar um hotel, porém nenhum deles possuia “cochera” (garagem), até que avistei a Comissaria de Policia na própria praça e decidi pedir informação no local. Como também sou policial, logo me identifiquei e recebi um largo sorriso e um aperto de mão do policial peruano. Perguntei a ele se havia algum hotel com estacionamento para ficarmos e ele me pediu que o acompanhasse. Andamos uns 20 metros e paramos numa hospedaria simples, o policial chamou o dono, perguntou se tinha quartos e se poderíamos guardar as motos na garagem de sua casa que ficava ao lado. O dono prontamente atendeu ao pedido do policial e nos recebeu muito bem. Em seguida agradeci ao policial peruano que me respondeu; “somos hermanos de armas”. Chamei o Luciano e aceitamos o quarto sem pestanejar apesar do cheiro de “Baygon”.
O hotel nos custou a “bagatela” de R$50 para duas pessoas sem café da manhã, mas com banheiro privativo (sim, isto é opcional no Peru), com estacionamento fechado e acreditem se quiserem, com wi-fi.
Como não havíamos nos alimentado durante todo dia, procuramos um lugar para comer e o mesmo policial nos indicou uma “Polleria” (Pollo=frango). O local na mesma praça era bem simples e não muito limpo, mas era o que tínhamos. Pedimos frango com arroz e batata frita e como entrada uma sopa (até hoje não sei do que era feita) por 12 soles. Comi até me esbaldar, mas o Luciano não conseguiu comer muita coisa, como ele mesmo diz, eu sou um avestruz.


7ºDIA – URCOS – ANDAHUAYLILLAS – RUMICOLCA – PIKILLACTA - TIPÓN -CUSCO/PERU.

DATA: 22FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 75Km.

Este seria o dia mais tranquilo de nossa viagem, somente 50Km nos separavam de Cusco, cidade de partida para as ruínas Incas e para Machu Picchu.
Tomamos café da manhã (desayuno) ao lado da hospedaria e saímos sentido Cusco, mas parando para ver algumas ruínas e igrejas históricas.
Nossa primeira parada foi em uma Igreja na saída da cidade, tiramos fotos, inclusive de seu interior em ouro e do lindo lago a sua volta. Ingresso para igreja: 3soles
Lindo lago em Urcos

Igreja em ouro de Urcos
A segunda parada foi na Igreja de San Pedro no vilarejo de Andahuaylillas, uma linda igreja construída em 1626 e que possui em seu interior lindas obras de arte e boa parte de suas paredes em ouro. Uma pena que o interior do local ser proibido tirar fotos. Entrada mediante ingresso: 10 soles.
Igreja de San Pedro no vilarejo de Andahuaylillas
Após poucos quilômetros paramos nas ruínas de Pikillacta, próximo a Cusco. No local há dois lugares para se visitar, um é o Rumicolca (muralhas construídas pelo povo Wari –anterior aos Incas- e posteriormente serviu como uma espécie de “alfandega” para o antigo império Inca) e o segundo a própria cidade de Pikillacta também construída pelos Wari.
Rumicolca

Pikillacta
Logo em seguida paramos para visitar o sítio arqueológico de Tipón, que possivelmente foi um campo agrícola, construído em vários níveis e conta ainda com o mesmo abastecimento de água da época dos Incas. Além da beleza do local, a estrada que nos leva ao local é de tirar o fôlego.
Vista do alto em Tipón

Tipón

Linda carretera de acesso à Tipón
Mais alguns quilômetros e chegamos a Cusco com um dia de antecedência, uma cidade grande com trânsito intenso, porém organizado comparado ao de Puerto Maldonado. Seguimos direto para o Hotel Taypikala onde tínhamos reservas e aguardaríamos a chegada de nossas esposas no dia seguinte.
Na parte da tarde fomos conhecer a Plaza de Armas, almoçar e foi lá que o Luciano sofreu o segundo bullying das típicas peruanas. Em dado momento, Luciano passou a filmar a lateral de uma igreja, mas sentadas em frente estavam cinco peruanas típicas, logo imaginei a confusão. Mal havia terminado de filmar a igreja (e por consequência todas elas), as peruanas passaram a exigir dinheiro pela suposta foto. Após certa discussão, Luciano lhes deu 5 soles e foi embora, as deixando pouco contentes.
Na praça das armas de Cusco se pode encontrar muita variedade de lojas e serviços, inclusive McDonalds, para os que não ficam sem um fast food.
Catedral de Cusco
O hotel Taypikala possui diárias no valor de R$260 para duas pessoas, com café da manhã, restaurante até as 22h e estacionamento próximo, mas  é pago a parte (R$17 a diária de 24h).
 

8ºDIA - CUSCO – CORICANCHA/PERU.

DATA: 23FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 00Km.

O nosso oitavo dia de expedição foi bem tranquilo, aproveitamos para descansar durante a manhã e esperamos a chegada de nossas esposas, que vieram de avião direto para o Peru.
Gabriella Garcia e Priscila Rosa
Por volta das 14h elas chegaram e fomos juntamente com nosso guia Edwin, visitar o Templo do Sol, também chamado de Coricancha.
Coricancha
O passeio durou duas horas e logo em seguida voltamos para o hotel, já que o dia seguinte seria puxado, pois iríamos conhecer várias ruínas incas.
Todos os locais turísticos de Cusco cobram ingresso, portanto compramos o passaporte no valor de 130 soles, que nos dá o direito de acesso a 16 locais diferentes por 10dias (não inclue Machu Picchu).


9ºDIA – SACSAYHUAMÁN - QUENQO - TAMBOMACHAY - PISAC/PERU.

DATA: 24FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 68Km (de van).

Nosso dia começou bem cedo, por volta das 7h nosso guia Edwin nos pegou no hotel e fomos visitar primeiramente Sacsayhuamán.
Nosso guia nos explicou que Sacsayhuamán era um templo religioso, onde os jovens homens incas se tornavam homens após uma série de provações, bem como outra parte das ruínas era dedicada a recepção dos produtos agrícolas que chagavam de todo Peru. O passeio durou algo em torno de 2 horas.
Sacsayhuamán

Sacsayhuamán
Em seguida fomos ao sítio arqueológico de Quenqo, onde aprendemos que o local era dedicado a religião inca e utilizado pelos sacerdotes e pessoas influentes do antigo império inca. O passeio durou por volta de 1 hora.
Quenqo
Continuamos sentido Vale Sagrado e paramos para conhecer as ruínas de Tambomachay. O local era utilizado como uma espécie de alfândega, tal como Rumicolca. Esta visita durou pouco menos de 1hora.
Tambomachay
Após Tambomachay nosso guia nos levou para almoçar, com direito a show do Luciano.Após o almoço, já durante o trajeto para Pisac demos uma parada em um tipo de zoológico, onde voluntários cuidam de animais selvagens peruanos que por algum motivo necessitam de cuidados médicos. Neste zoológico pudemos ver além de outros, o tão famoso condor, inclusive entrar no seu viveiro. O local não cobra ingresso e somente aceita doações voluntárias para manter o local.
Show de Luciano Garcia
Seguindo nosso cronograma, chegamos a Pisac, uma cidade inca construída no alto do Vale Sagrado. Aprendemos que Pisac não tinha uma função específica, mas era uma  das mais importantes cidades de todo império Inca. Nossa visita durou 2 horas.
Pisac

Pisac
Após visitar Pisac, retornamos ao hotel em Cusco para descansarmos, pois o dia seguinte seria ainda mais cansativo que o primeiro.
Linda vista do Vale Sagrado
Durante o jantar, eu e o Luciano já começamos a ouvir algumas reclamações da mulherada, já que os passeios eram muito cansativos, necessitando andar bastante.
  


10ºDIA – VALE SAGRADO – MORAY – OLLANTAYTAMBO – CHINCHERO/PERU.

DATA: 25FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 130Km (de van).

Nosso dia provou que não seria nada fácil. Eu, Luciano e Edwin saímos as 8h para procurarmos um local onde pudéssemos fazer a troca da transmissão da moto do Luciano, pois a corrente já esta quase no limite. Procuramos várias oficinas, mas todas elas disseram que não fariam a troca, mesmo a esposa do Luciano tendo trazido a peça do Brasil. O negócio foi esperar a concessionária da Honda abrir. Eram pouco mais de 9h da manhã quando a loja abriu e logo procuramos a oficina para perguntar se podiam fazer o serviço e obtivemos a resposta positiva, inclusive deixariam a moto no hotel após o serviço.
Voltamos para o hotel para buscar nossas esposas e saímos por volta das 11h para visitar o Vale Sagrado, mas especificamente os sítios arqueológicos de Moray e Ollantaytambo e o povoado de Chinchero.
Como o dia não estava fácil, durante o trajeto em uma estrada de terra, nossa van atolou no barro e tivemos todos que descer para empurrar e podermos seguir viagem.
Hudson Rosa aproveitando a parada para registrar as belezas do Peru
Por volta das 14:30h chegamos a Moray, um lindo lugar construído para ser uma espécie de laboratório botânico, onde os incas faziam cruzamentos de plantas para que fossem mais resistentes a pragas e ao clima. Eu e minha esposa criamos coragem e descemos até o Moray, já o Luciano e sua esposa esperam na parte de cima. Para descer até que não foi difícil e a vista lá de baixo valeu a pena, mas para subir foi muito cansativo, fizemos várias paradas, principalmente para minha esposa poder pegar fôlego. Não esqueçam que estamos na altitude. O passeio durou por volta de 1 hora e meia.
Moray
Em seguida nos dirigimos à cidade de Ollantaytambo, uma das mais importantes do império Inca. Subimos todas as escadarias do sítio arqueológico, aonde recebemos todas as explicações do nosso guia Edwin e pudemos ter uma boa vista de toda a cidade. O passeio durou 2 horas.
Ollantaytambo

Ollantaytambo
Durante o trajeto de volta, demos uma parada no vilarejo de Chichero, onde a linda menina Juliana nos deu uma bela explicação de como são feitos e tingidos os tecidos artesanais feitos no povoado. Como não podia deixar de ser a mulherada comprou algumas bugigangas e seguimos de volta ao hotel.
Juliana (a direita) nos ensinando o processo de tintura artesanal
Durante a noite mais algumas reclamações da mulherada, pois não estavam gostando muito de andarem tanto. Segundo minha esposa aquele era um passeio de “índio”. Mas não nos preocupamos, pois o melhor estava por vir, no dia seguinte iríamos para Machu Picchu.



11ºDIA –MACHU PICCHU/PERU.

DATA: 26FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 67Km (de van), 2 horas de trem e 20minutos de ônibus.

Saímos por volta das 8h com destino a Ollantaytanbo, local onde pegaríamos o trem para Machu Picchu.
Como auxílio aos que também pretendem conhecer  Machu Picchu, explico o seguinte, se pretende ir pela manhã à Machu Picchu, vá de van ou táxi para Ollantaytambo e pegue o trem, pois assim chegará antes que a maioria dos turista e poderá aproveitar melhor Machu Picchu.
Chegando à estação de Ollantaytambo nos dirigimos para comprar os tickets na empresa Inca Rail, que segundo nosso Edwin, possuía melhores trens, serviços e era mais barato. Mas quando estávamos quase comprando, nossas esposas nos chamaram e perguntaram se estávamos comprando o trem “Vistadome”, dissemos que não, pois o Inca Rail era melhor. Mas como toda mulher, foi impossível convencê-las do contrário, e compramos o tal “Vistadome” que segundo elas era muito chique, serviam almoço e havia até show a bordo. Ledo engano da mulherada, o trem é simples, serviu somente um lanche meia boca e não houve nenhum show e, claro, isso rendeu muita gozação de nossa parte contra a mulherada. O preço do Vistadome é U$70 e o Inca Rail U$50.
Durante o trajeto houve uma queda de barreira nos trilhos, nos deixando por volta de 15 minutos parados. Chegamos ao bom hotel La Cabana em Águas Calientes, que possui diárias de R$260 para o casal. Como estava chovendo muito, aproveitamos para almoçar e subimos para Machu Picchu (o ônibus custa U$20 para subir e descer).
Logo que chegamos um nevoeiro pairava sobre a cidade impossibilitando a vista de toda a cidade, mas após alguns minutos o tempo ajudou e acabamos com os cartões de memória das máquinas fotográficas e da filmadora. Passamos a tarde toda conhecendo cada cantinho de Machu Picchu. O local é tão belo que até mulherada não reclamou de andar. ALELUIAAAAAAA!!!O ingresso para Machu Picchu custa 128 soles.
Clássica foto de Machu Picchu
Da esquerda para direita: Gabriella, Priscila, Luciano e Hudson
Machu Picchu

Machu Picchu
Voltamos ao hotel já à noite para descansarmos, pois eu e o Luciano decidimos que no dia seguinte iríamos subir Wayna Picchu (aquela montanha mais alta que aparece nas tradicionais fotos de Machu Picchu).     
  


12ºDIA – WAYNA PICCHU - CUSCO/PERU.

DATA: 27FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 20 minutos de ônibus , 3 horas de meia de caminhada e 67km de van.

Acordamos bem cedo, pois iríamos subir Wayna Picchu na turma das 7h da manhã. Para chegar ao cume de Wayna Picchu é necessário subir 320 metros em uma trilha inca muito íngreme e com pedras escorregadias. Para os mais sedentários a subida será bem cansativa, mas se não tiver fobia de altura conseguirá subir, mesmo demorando mais que os demais, não há tempo máximo de permanência. A subida é linda e a vista lá de cima é algo indescritível por foto ou vídeo, só pessoalmente para poder entender o sentimento que toma conta quando observa Machu Picchu do alto da montanha. Para sorte, enquanto estávamos no alto de Wayna Picchu, um guia local começou a tocar a música “condor pasa” (quase um hino para os peruanos, da mesma forma que o tango de Carlos Gardel é para os Argentinos) em uma flauta, quase levando Luciano as lágrimas.O ingresso para Wayna Picchu custa 152 soles.
Machu Picchu vista do alto de Wayna PIcchu
Conquistamos Wayna Picchu
Apreciando a flauta no alto Wayna Picchu
Depois do lindo passeio voltamos ao hotel, tomamos banho, pegamos o trem de volta para Ollantaytambo e van até o hotel Taypikala em Cusco.
Após o jantar fui entrar na internet e adivinhem quem encontramos hospedamos no mesmo hotel? Os dois mineiros que havíamos encontrado na fronteira com o Peru. Eles nos explicaram que tiveram que retornar a Brasiléria e esperar por cinco dias até o correio entregar o documento da moto que faltava para poderem entrar no Peru e que haviam chagado em Cusco naquele dia. Despedimos-nos e lhe desejamos boa sorte, pois iríamos para Nazca no dia seguinte. Mas nossos destinos novamente iriam se encontrar no futuro.
  



13ºDIA – CUSCO - PÚQUIO/PERU.

DATA: 28FEV13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 475Km.

Era o dia de nos despedirmos das esposas, pois elas voltariam para o Brasil, mas nós tínhamos mais quinze dias de viagem e 4 países para conhecer.
Saímos de Cusco por volta das 9h e seguimos com destino a Nazca. Normalmente quem visita o Peru, sai de Cusco diretamente para Puno, no lago Titicaca, mas não façam isso, pois perderão as estradas mais lindas do Peru (e de toda nossa expedição).
A estrada para Nazca não é tão boa quanto as demais, não por falta de manutenção, mas pelo excesso de quedas de barreira. Durante o trajeto é normal você estar fazendo uma curva e do nada topar com uma pedra enorme caída na pista, portanto todo cuidado é pouco.
Quando saímos achávamos que seria um dia puxado, porém sem maiores dificuldades, mas o que nos esperava viria a ser o nosso dia mais duro em toda a expedição.
Como em toda nossa estadia no Peru, a chuva nos fez companhia durante quase todo o trajeto, entretanto nós não imaginávamos que iríamos permanecer durante tanto tempo em grande altitude. Entre Cusco e Puquio percorremos quase 200km acima dos 4000metros de altitude e com muita, mas muita chuva. Em razão da forte chuva e da altitude nossa velocidade era muito baixa e estávamos passando muito frio, pois nosso equipamento encharcou nos deixando molhados. Durante o trajeto minhas luvas, mais grossa que a do Luciano, encharcaram a ponto de congelar meus dedos, por isso parei duas vezes para colocar as mãos nuas no escapamento da moto, para aliviar a dor insuportável que sentia. Como o Luciano estava com luvas mais finas e não estava com tanta dor, fiz o mesmo, e realmente melhorou, pois a luvas mais fina não juntava tanta água, amenizando e muito a dor do frio.
Uma parada para esquentar as mãos no escapamento

Paisagem bucólica a mais de 4500metros de altitude
Depois de horas de sofrimento no frio, com gelo às margens da pista e muita chuva, chegamos por volta das 20 horas em Puquio, e ficamos em um hotel na Plaza de Armas da cidade. A hospedagem nos custou 70 soles, com WC privativo e sem internet.
Para jantar a dona do hotel nos indicou um restaurante e fomos de motocar até o local, onde comi um belo “lomo a lo pobre” (igual ao nosso bife a cavalo) por 15 soles, além dos 4 soles de ida e volta ao hotel.



14ºDIA – PÚQUIO - NAZCA/PERU.

DATA: 01MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 160Km.

Acordamos e saímos bem cedo, pois estávamos atrasados em nosso cronograma, mas antes de sair do hotel o Luciano teve que deixar Julinho, dono do hotel, dar uma volta na XRE, parecia um acriança de tanta alegria.
O dono do hotel, Julinho, fazendo um test drive na "Xirlene"
Percorremos os 140 quilômetros restantes até Nazca. Uma linda estrada que nos fez perceber a paisagem heterogenia do Peru. Após 50km saindo de Púquio, os Andes ainda eram verdes e cheio de vida e após mais 50km os Andes eram puro deserto sem vida e cheio de areia.
Os andes bem verde e cheio de vida
Os andes desértico e sem vida
Bela carretera que liga Puquio à Nazca
Chegamos a Nazca por volta das 14:30h e nos hospedamos no bom Hotel La Encantada, com diárias de 90soles para duas pessoas, estacionamento fechado e coberto, wi-fi e WC privativo.
Informaram-nos que para realizar o passeio de avião era somente se dirigir até o aeroporto da cidade de comprar o passeio. Fomos almoçar em um restaurante próximo do hotel, onde comi um “lomo a lo pobre” de novo e depois fomos até o aeroporto.
Chegando ao aeroporto (pequeno, porém organizado) fomos recepcionados por uma agente de turismo que nos ajudou na compra do passeio. O custo foi de U$75 mais 25soles de taxas por um voo de 35 minutos em um avião do tipo Cessna de 6 lugares. Para quem não está acostumado a voo em aviões pequenos ou helicópteros, pode acabar tendo náuseas e um pouco de medo, tendo em vista a turbulência sofrida pelo pequeno avião no pampa peruano. Durante nosso passeio uma mulher vomitou bastante e o Luciano no finzinho já tava suando frio. Eu não tive náuseas, pois já voei várias vezes em helicópteros no trabalho e perdi o medo, mas quem nunca fez este tipo de voo será normal ficar com medo, mas nada de demais.
Preparando para decolar

Um dos muitos desenhos das Linhas de Nazca.....seriam os deuses astronautas?
Voltamos satisfeitos do passeio e como ainda era cedo, paramos para trocar o óleo das motos, descansamos um pouco, comemos uma pizza no agitado e bonito centro de Nazca e depois fomos dormir.
  


15ºDIA – NAZCA - AREQUIPA/PERU.

DATA: 02MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 570Km.

Saímos por volta das 9h de Nazca com destino a Arequipa no interior peruano. Depois da linda carretera entre Cusco e Nazca, achamos que seria impossível outra estrada ser mais bela, mas estávamos enganados.
A carretera que liga Nazca à Arequipa, passando pelo pampa e litoral, foi a mais bela que cruzamos em toda nossa expedição.
Pampa peruano

Luciano se divertindo nas areias do pampa peruano
Por aproximadamente 270Km ficamos o tempo todo às margens do Oceano Pacífico, mas diferente do que estamos acostumados no Brasil, o litoral peruano possui pouquíssimas praias, pois a Cordilheira dos Andes se estende até o oceano.A carretera litorânea se mantém as margens do oceano, mas a uma altura enorme do mar, chegando a mais de 1000metros acima do oceano, mesmo as margens deste. Em razão de tal altitude, invariavelmente, mesmo estando às margens do mar, somente conseguíssemos ver o céu no horizonte. Tal configuração da estrada, nem em sonho eu a teria imaginado, pois ela é muito mais bonita que meus melhores sonhos.
Carretera às margens do Oceano Pacífico
Quando paramos na cidade de Chala para abastecer as motos, encontramos o colombiano Sal, que estava voltando do deserto do Atacama e já estava há 31 dias na estrada com uma Suzuki Burgman 600.
Colombiano Sau
Saindo do litoral e seguindo para Arequipa
Por volta de 20:00h chegamos à grande cidade de Arequipa e passamos a sofrer para procurar hotéis, pois estávamos com poucos soles e cartão de crédito, ainda é um luxo no Peru. Depois de rodarmos mais de uma hora pela cidade, ficamos no hotel Diplomata, com diária no valor de 120soles, com café da manhã, wi-fi e WC privativo.
Como já estava tarde e o trânsito na cidade é muito caótico, decidimos comprar uns salgados em um mercadinho ao lado do local e dormir.



16ºDIA –AREQUIPA – CHIVAY – CÂNION COLCA/PERU.

DATA: 03MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 270Km.

Saímos de Arequipa por volta das 10 h com destino a Chivay, para conhecer o Cânion Colca, maior cânion do mundo, com 4160 metros de profundidade, duas vezes mais profundo que o Grand Canyon nos EUA.
A estrada que liga Arequipa à Chivay é muito bonita e o asfalto é excelente, porém como Chivay é uma cidade muito alta, o clima é muito frio, mas tivemos sorte de não pegarmos chuva desta vez. ALELUIAAAA!!! Durante o percurso é necessária muita cautela, pois há criação extensiva de Lhamas, Alpacas e Vicunãs, e essas por sua vez, invadem a pista a pista com frequência. Foi neste trecho que chegamos a maior altitude de toda expedição: 4926metros.
Alti-plano Peruano

Alti-plano Peruano

Criação de animais às margens da carretera
Chegamos ao portal de Chivay às 15h, tiramos umas fotos e compramos o ingresso de acesso à cidade no valor de 40 soles (detalhe: o policial que faz a cobrança na entrada queria nos cobrar 70soles, mas 70 soles é o valor para estrangeiros de fora da América do Sul).
Como já estava tarde, decidimos comer somente um salgadinho e ir para o Cânion Colca. Da cidade de Chivay até o Mirante Cruz Del Condor são 54km, 40km em estrada de terra ou rípio e passando por charmosos vilarejos.
Chegamos no mirante as 17:30h, com uma neblina que mal conseguíamos conduzir as motos. Paramos na placa indicativa, pois era a única coisa que se podia ver, tiramos umas fotos e decidimos voltar a Chivay com uma frustração imensa. Após aproximadamente 1km, percebi que a névoa estava indo embora, parei a moto rapidamente, subi em um barranco e tirar algumas fotos. Como percebemos que a névoa continuou indo embora, voltamos rapidamente para o mirante e para alegria, não havia mais névoa e assim pudemos aproveitar todo o mirante, por pouco tempo é verdade, mas foi ótimo.
Cânion Colca - o grande rio mais parecia um córrego  lá do alto

Mirante Cruz Del Condor
Como a névoa voltou e estava ameaçando chover decidimos voltar à Chivay e nos hospedamos no bom hotel Casa Andina, que nos custou 220 soles, com wi-fi, WC privativo, estacionamento fechado e restaurante até às 23h. E tivemos um novo momento de sorte, logo que retiramos a carga das motos se iniciou uma forte chuva de granizo, que mais lembrava neve, mas toda esta sorte era para compensar o que viria a noite.
Muito frio em Chivay
Enquanto fazíamos o check-in chegaram ao hotel quatro motos e um carro de apoio, logo perguntei de onde eram e sendo respondido que eram da Lituânia. Tive uma rápida conversa com dois deles, já que meu inglês é meia boca e um Lituano falando inglês não ajudava.
Como a cidade é muito pequena, jantamos no restaurante do hotel mesmo e depois disso nossa aventura começou, principalmente para o Luciano.
Como não havíamos almoçado, estávamos com muita fome, eu decidi comer somente um prato feito, mas o Luciano comeu também uma pizza brotinho e após umas 2 horas, começou a sentir fortes dores abdominais. Por volta das 23h ele não estava mais aguentando e conseguimos um taxi para que nos levasse ao posto de saúde, onde ele foi bem atendido e voltou um pouco melhor para o hotel, mas esta ainda não seria a última aventura médica do Luciano no Peru. Saldo do socorro foram 40 soles para o taxi e 60 soles no médico (apresar de público, o serviço é cobrado para estrangeiros).
Fomos dormir  por volta da 01h da manhã, mortos de cansaço.



17ºDIA – CHIVAY - PUNO/PERU.

DATA: 04MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 320Km.

Por volta das 10h saímos de Chivay com destino a Puno, para visitar o Lago Titicaca. A estrada era muito boa e com tráfego de maluco (parecido com Puerto Maldonado) somente em Juliaca, que por sinal é uma cidade muito feia.
A feia e agitada Juliaca
Durante o trajeto o único ponto que mereceu uma parada para foto foi a Laguna Lagunillas, localizada a 4174 metros de altitude, ou seja, mais alto que o Lago Titicaca, que fica a 3900metros, porém a Lagunillas não é navegável.
Laguna Lagunillas
Chegamos a Puno apor volta das 17h, e por isso não havia mais tempo de conhecer o Lago Titicaca.
Como o Luciano ainda não estava totalmente restabelecido e a maioria dos hotéis de Puno não contar com estacionamento, acabamos ficando no ótimo (o melhor de nossa viagem) Hotel Royal Inn com diária à U$90 (era 110, mas conseguimos desconto após um choro do Luciano), wi-fi, restaurante até 00h, estacionamento coberto e fechado (com direito a loja Maçonica) e agente de turismo. Compramos para o dia seguinte o passeio de meio período para o Lago Titicaca (35 soles), pois queríamos chegar à Tiwanaku na Bolívia no dia seguinte.
Estacionamento de nosso hotel em Puno
Fomos conhecer a Plaza de Armas, sua linda catedral e aproveitamos para jantar por ali mesmo.
Catedral de Puno



18ºDIA – PUNO/PERU.

DATA: 05MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 00Km.

 Acordamos cedo, pois o passeio para o Titicaca sairia às 8h, mas o Luciano acordou com dores abdominais novamente. Para que ambos não perdessem o passeio o agente de turismo do hotel se propôs a levar o Luciano ao médico enquanto eu fazia o passeio. O novo passeio do Luciano ao médico ficou em 100 soles, mas segundo ele foi muito bem atendido por um médico que inclusive estudou medicina no Brasil.
Com Luciano indo ao médico, eu fui de van até o píer e de lá peguei uma embarcação que nos levaria conhecer o Lago Titicaca e as ilhas artificiais de Uros. O passeio é bem estruturado contando com guia bilíngue (espanhol e inglês). Após navegarmos por uns 15 minutos chegamos a uma das Ilhas de Uros. Nela tivemos uma aula com os simpáticos moradores locais, sobre como a história e como são construídas as ilhas. Em seguida fizemos um passeio em um barco típico dos moradores locais (10 soles) e retornei ao hotel por volta de 12:30h.
Ilhas de Uros no lago Titicaca

Ilhas de Uros no lago Titicaca

Passeio no típico barco do lago Titicaca

Ilhas de Uros no lago Titicaca

Moradoras das Ilhas de Uros
Quando voltei o Luciano já estava no quarto, mas ainda estava debilitado e com algumas dores. Conversamos sobre o prosseguimento da viagem e chegamos à conclusão que era melhor irmos de Puno diretamente para Arica no Chile, pois caso as dores persistissem e ele necessitasse retornar de avião, teria melhor assistência, tendo em vista o seguro de sua moto possuir cobertura dentro do Mercosul.
  


19ºDIA –PUNO/PERU – ARICA/CHILE.

DATA: 06MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 492Km.

Saímos de Puno por volta das 9h com destino a Arica no Chile, seriam 460km e uma aduana para atravessarmos, que segundo o Colombiano Sau, era “chata” com a papelada.
A estrada que liga Puno a Tacna tem uma linda paisagem do alti-plano e com asfalto muito bom.
Panorâmica do alti-plano Peruano a mais de 4000metros de altitude
Pampa peruano próximo a Tacna
A cidade de Tacna é a última antes do Chile e observamos que além de possuir uma “zona franca” (industrial), ela é mais estruturada, organizada e bonita que as demais cidades peruanas. Como ainda eram 16h e faltava pouco para chegarmos ao Chile, paramos para almoçar em um posto de combustíveis em Tacna, aonde comemos o nosso prata mais barato de toda a viagem. Comemos um caprichado “lomo a lo pobre” com refrigerante de 600ml por apenas 7 soles (+ou- R$6). Logo em seguida saímos, pois faltavam 36km para a fronteira e mais 27km até Arica.
Chegamos à imigração e aduana peruanas para fazer nossa saída do país (se não tiver os papéis de saída, não possível entrar no outro), mas acredite se quiser, é mais trabalhoso sair do peru do que entrar, e acabamos perdendo aproximadamente uma hora.
Fronteira Peru/Chile
Por volta das 19h chagamos na imigração e aduana chilenas e realmente comprovamos que é um pouco mais “chatinha” mesmo, inclusive tivemos que retirar toda carga das motos para passar no raio-x, com isso perdemos mais uma hora.
Chegando em Arica no Chile
Pouco depois estávamos em Arica e quanta diferença, após tantos dias no belo, mas pobre Peru, estávamos com saudades da transitar em um país mais organizado e com melhor estrutura.
Hospedamos-nos no hotel Jardim Del Sol com diárias de R$120 para duas pessoas (tudo no Chile é caro), com WC privativo, estacionamento fechado e coberto (só para motos) e wi-fi. Fomos dar uma volta no calçadão da cidade e comer uma boa pizza ali mesmo.




20ºDIA – ARICA - TOCOPILLA/CHILE.

DATA: 07MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 540Km.

Antes de sairmos de manhã, fui novamente ao calçadão para fazer a troca de 80 soles que haviam sobrado comigo e por isso saímos de Arica por volta das 10h com destino à Tocopilla.
Na saída da cidade paramos para abastecer num posto BR (isso mesmo, há vários deles no Chile) e descobrimos o que já suspeitávamos, a gasolina chilena, apesar de ótima, é muito cara, em todo nosso tempo no Chile nunca pagamos menos de R$4,00 o litro da gasolina.
No trecho de 315km entre Arica e Iquique sabíamos que não havia cidades, somente alguns pequenos vilarejos e portanto problemas em conseguir gasolina, principalmente em razão da “Xirlene” que possui um tanque menor. Aproveitamos que a Ruta5 estava com inúmeras obras para perguntar aos funcionários onde poderíamos conseguir gasolina. Em uma destas paradas um funcionário nos informou que em Huara havia uma sobrado de madeira logo na entrada da vila e lá uma senhor nos venderia gasolina.
Ruta5 chilena
Após 235Km e com a Xirlene respirando por aparelhos, chegamos ao vilarejo de Huara e logo na entrada visualizamos o sobrado de madeira e realmente no local havia um senhor que nos vendeu gasolina, cara, mas vendeu.
Abastecidos seguimos para a cidade abandonada de Humberstone, mas chegando no local que decepção. O local foi transformado em algo turístico, com cobrança de ingresso à R$25 e por acabamos “brochando”, afinal cidade abandonado não combina com bilheteria.
Seguimos até Iquique onde paramos para almoçar, abastecer e seguir para o nosso destino final, Tocopilla, mas agora pela Ruta1, que margeia o tempo todo o Oceano Pacífico.
 A Ruta1 também esta com muitas obras da mesma forma que a Ruta5, mas mantendo um bom asfalto e combinando lindas paisagens, uma mistura dos Andes, da pista e do oceano.
A linda Ruta1 - Andes, carretera e Oceano Pacífico - mistura perfeita

Luciano não resistiu a tanta beleza do pôr do sol
Após 235km chegamos a grande cidade portuária de Tocopilla, onde avistamos as maiores dunas que já vimos na vida, fazendo as dunas de Natal parecerem caixinha de areia para gatos.
Nos hospedamos no hotel Chungará, com diárias de R$90, wi-fi, café da manhã e WC privativo e estacionamento fechado. À noite comemos um lanche de filé e discutimos se iríamos ou não para Antofagasta no dia seguinte. Nossa dúvida foi criada, pois segundo alguns viajantes que encontramos no caminho, Antofagasta não tem nada para conhecer, além da mão do deserto e do “La Portada”, valendo mais a pena ir direto para San Pedro de Atacama e ter mais tempo para aproveitar lá. E foi assim que decidimos, vamos direto para San Pedro.




21ºDIA – TOCOPILLA – SAN PEDRO DE ATACAMA/CHILE.

DATA: 08MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 270Km.

 Decidimos durante o café da manhã, que iríamos parar em Calamá para trocar o óleo das motos e para o Luciano trocar os pneus da Xirlene, já que San Pedro não deveria ter estrutura para tal e acertamos na mosca.
Saímos por voltas das 9h da manhã com destino a Calamá, trafegando por uma ótima estrada com paisagens desérticas, tal como a Ruta5. Chegamos a Calamá por voltas das 11h e fomos direto para uma concessionária da Honda, entretanto ela não possuía oficina, mas para nossa sorte em frente a concessionária havia uma que realizaria todos serviços que necessitávamos.
Lindas retas no deserdo do Atacama

Perseguição em pleno deserto do Atacama. Seria uma miragem?

Trocando óleo e pneus da Xirlene em Calamá
 No local somos muito bem atendidos pelo dono da loja, mas o preço? O Luciano se arrependeria por toda viagem de não feito a troca de pneus antes de sair do Brasil. Deixamos no local R$60 para a troca de óleo de cada moto e R$720 para os dois pneus novos da Xirlene, sorte nossa que aceitava cartão de crédito (no Chile é normal o uso de cartão).
Enquanto faziam os serviços nas motos fomos almoçar e pegamos as motos por voltas das 14h e fomos logo pegando a pista com destino a Dan Pedro de Atacama.
De Calamá até San Pedro de Atacama foram 110Km de estrada boa e lindas paisagens desérticas, chegando ao nosso destino por volta das 16:30h. Logo fomos procurar um hotel e percebemos que em San Pedro o turismo é algo mais caro, com vários hotéis com preço altíssimo. Por fim nos hospedamos no hotel Tambillo, com diárias no valor de R$180 para duas pessoas, wi-fi, WC privativo, café da manhã e estacionamento fechado e coberto.
San Pedro de Atacama - ao fundo vulcão Licancabur
A cidade de San Pedro de Atacama, apesar de pequena, possui muitas opções de passeios durante o dia e várias opções de bares e restaurante no período noturno.




22ºDIA – SAN PEDRO DE ATACAMA – LAGUNAS CEJAS, TEBINQUICHE, CHAXA – OJOS DEL SALADO/CHILE.

DATA: 09MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 225Km.

Programamos para este dia um passeio com as motos pelas lagunas da Região. Primeiramente fomos para as Lagunas Cejas e Tebinquiche e para o Ojos Del Salado, que tem o mesmo acesso. No local é cobrado R$21 para ter acesso aos três locais. Aproveitamos para tirar muitas fotos ficando no local das 11:30h até as 13h.
Panorâmica da Laguna Cejas

Hudson e Luciano na Laguna Cejas

Ojos Del Salado

Tereza e Xirlene na Laguna Tebinquiche
Em seguida nos dirigimos para a Laguna Chaxa, onde é cobrado mais R$21 para o ingresso e permanecemos pouco mais de meia hora no local.
Flamingos na Laguna Chaxa

Todo o colorido da Laguna Chaxa

Todas as lagunas que visitamos eram lindas e valeram a visita, bem como as estradas de acesso de asfalto, terra ou sal, todas muito boas.
Para noite havíamos marcado uma visita ao Observatório SpaceObs (ingresso no valor de R$76). Por volta das 21h um ônibus foi nos buscar e nos levou para uma área afastada da cidade, onde fica o observatório. No local recebemos uma palestra geral sobre o universo, as galáxias e estrelas. Em seguida, foram colocados a disposição vários telescópios já direcionados para planetas, galáxias ou estrelas. E por fim ocorreu um bate papo com o principal astrônomo, tomamos um chocolate quente e às 2h da manhã estávamos de volta ao hotel.
Visita ao SpaceObs

Linda visão da Via Láctea - céu perfeito no Atacama
Dormiríamos muito pouco naquela madrugada, pois às 4h da manhã, a van para o passeio dos Gêiseres El Tatio iria nos pegar no hotel.



  

23ºDIA – SAN PEDRO DE ATACAMA – GÊISERES “EL TATIO”/CHILE.

DATA: 10MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 190Km de van e 140km de moto.

Acordamos por volta das 3:30h, se é que dormimos, e ficamos aguardando a van, mas ela só passou nos pegar as 5h, em razão do horário de verão Chileno ter sido estendido e os celulares dos turistas terem mudado o horário de forma automática.
O trajeto de San Pedro de Atacama até os gêiseres é de 90km em estradas de terra e duração aproximada  de 2h.  
Chegando aos Gêiseres “El Tatio” percebemos o que todos haviam nos avisado, é muito, muito frio, com temperaturas facilmente abaixo de zero. O local é lindo, fora o espetáculo dos gêiseres que é um capitulo a parte. Após aproximadamente 1 hora de visita, nos foi servido um bom café e em seguida fomos levados às piscinas naturais com água bem quente que brota do solo. Permanecemos no local até às 10:30h quando iniciamos o retorno para San Pedro. Mas antes paramos no povoado de Machuca, onde podemos comer espetinhos de Alpaca e visitar sua capela.
Gêiseres El Tatio

Gêiseres El Tatio

Luciano aproveitando as piscinas térmicas

Vilarejo de Machuca
Chegamos a San Pedro ao meio dia, almoçamos e descansamos um pouco. Por volta das 16h saímos para visitar as Laguna Verde e Blanca que ficam na Bolívia, mas próximas à San Pedro.
No caminho paramos para tirar fotos do Vulcão Licancabur e após 50km de estrada de asfalto, chegamos a imigração Boliviana, fizemos a papelada e percorremos mais 20km de estrada de terra (que estrada ruim) para chegar as Lagunas, que diga-se de passagem, não são lá aquelas coisas. Ficamos meia hora no máximo e retornamos para o hotel para descansar, pois no dia seguinte iríamos para a Argentina.
Vulcão Licancabur

Hudson e Luciano com Vulcão Licancabur ao fundo

Estrada para as lagunas bolivianas

Laguna Blanca - Bolívia

Laguna Verde - Bolívia

Retornando à San Pedro de Atacama



  

24ºDIA – SAN PEDRO DE ATACAMA/CHILE – GENERAL GÜEMES/ARGENTINA.

DATA: 11MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 550Km.

Saímos do hotel em San Pedro por volta das 10h, fizemos a saída do Chile na imigração que fica dentro da cidade (e demorou mais de uma hora) e às 14h chegamos no Paso Jama e na imigração argentina, que foi bem rápida, resolvendo tudo em no máximo 15 minutos.
Paso Jama - fronteira Chile/Argentina

Com relação à gasolina, isso não é mais problema, pois no “paso” fronteiriço há um posto da YPF.
Da mesma forma como no Chile, as estradas Argentinas são muito boas, possibilitando manter um ótimo ritmo de viagem.
Carretera para Susques
Chegando a Susques paramos em um posto/restaurante, comemos umas empanadas e quando estávamos saindo encontramos vários motociclistas brasileiros indo para San Pedro. Ficamos conversando um pouco, tiramos umas fotos e seguimos viagem.
Hudson Rosa (Sorocaba/SP) Falcão (Brasilia /DF) Emilio (RJ) Luciano Garcia (Votorantim /SP) - Susques/Argentina
Chamo a atenção para um local chamado Costa de Lipan que lembra e muito “Los Caracoles” a caminho de Santiago no Chile. Paramos no local e tiramos muitas foto.
Costa de Lipan - Argentina
Chegando em San Salvador de Jujuy, paramos num posto de gasolina e o que haviam nos avisado aconteceu. Não havia gasolina, mas nos indicaram outro e chegando nele para nossa sorte tinha gasolina, mas havia uma grande fila para abastecer. Neste momento, lembrei-me do Brasil há muitos anos atrás, quando também houve este tipo de problema.
Após mais 67km chegamos à General Güemes e nos hospedamos no hotel Roman, com diárias no valor de R$90, com café da manhã, wi-fi, WC privativo e estacionamento fechado e coberto.
Em frente ao hotel havia um posto de gasolina, fomos abastecer e nada de gasolina, mas disseram que de madrugada iria chegar. Fomos dormir e deixamos para abastecer no dia seguinte.
  



25ºDIA – GENERAL GÜEMES – FORMOSA/ARGENTINA.

DATA: 12MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 950Km.

Na noite anterior decidimos que tentaríamos chegar o mais próximo do Paraguai, para que não necessitássemos pernoitar no país, portanto saímos do hotel por voltas das 5h sem café da manhã que se iniciaria as 6h. Mas como ainda existem pessoas boas, a recepcionista do hotel, nos vendo sair sem comer, pediu para esperarmos. Foi para a cozinha e pegou uns croissant e nos deu para comer, agradecemos e atravessamos a rua para abastecer as meninas, mas o combustível que chegou durante a madrugada já havia acabado. O frentista nos informou que talvez houvesse gasolina em um posto mais a frente seguindo a carretera por uns 5km.  Chegamos ao posto informado e para nossa sorte havia gasolina, enchemos o tanque e seguimos viagem.
Seguimos pela Ruta16 que praticamente não possui curvas (pegamos uma reta de mais de 300km), com uma paisagem sem graça, poucas cidades (e com isso postos) e um vento forte que não parou um minuto se quer. Em razão do vento minha Ténéré que normalmente faz 29Km/l, acabou fazendo até 15Km/l. A parte boa foi que neste trecho não tivemos problemas para conseguir gasolina. O único problema foi com os postos de gasolina em não aceitarem cartões na Argentina, pois segundo um dos frentistas, o governo Kirchner obriga os postos a venderam a um preço menor e com isso acabam não aceitando cartão para não perderem todo lucro com a taxa de administração.
Como saímos cedo, chegamos à Resistência por volta das 17h ainda com luz do dia, abastecemos as meninas, fizemos uma rápida troca de dólares por pesos (para pagar a gasolina) e seguimos para Formosa, que nos deixaria a um passo do Paraguai.
Durante o percurso entre Resistência e Formosa, fui parado pela Polícia Caminera (Rodoviária) e três policiais se dirigiram a mim. Como trabalho na área, notei que um deles estava estagiando e os outros dois o auxiliavam nas perguntas feitas a mim. Mas foi tudo muito tranquilo, perguntaram da minha moto, onde já tinha visitado e no fim veio uma pergunta ofensiva contra minha pessoa, perguntaram se eu era “corinthiano”, como respondi que não, era “hincha de San Pablo”, todos riram, gostaram da resposta e em seguida me liberaram. Pelo jeito a fama dos corinthianos ultrapassou as fronteiras brasileiras. KKKKKK!!!
Chegamos à grande e bonita Formosa, e na avenida principal encontramos o hotel Génesis, com diárias no valor de R$120, wi-fi, estacionamento fechado e café da manhã. Jantamos em uma pizzaria ali perto e fomos dormir.




26ºDIA – FORMOSA/ARGENTINA – FOZ DO IGUAÇU/BRASIL.

DATA: 13MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 490Km.

Como teríamos que passar duas imigrações no mesmo dia, já que pretendíamos chegar a Foz do Iguaçu, saímos do hotel às 7h.
Após aproximadamente 125Km chegamos a fronteira entre Argentina e Paraguai. As imigrações dos dois países são juntas, mas foi justamente nela que tivemos o único problema com autoridades estrangeiras. Logo que chegamos dois agentes da imigração Paraguai nos recepcionaram e nos conduziram aos guichês de saída da Argentina e de entrada no Paraguai, além de nos apresentar cambistas para troca de dinheiro, o que já nos causou certa apreensão. Enquanto fazíamos a aduana Paraguai, percebi que, pessoas não acompanhadas de agentes de imigração paraguaios, estavam tendo problemas para entrar no país e escutávamos os funcionários falando à elas que haviam problemas com a documentação, mas quando indagados qual era o problema, saiam de perto e não diziam, demonstrando que o problema não devia ser nos documentos e sim de $. Como estávamos acompanhados tudo transcorreu rápido, mas logo que tudo terminou, os funcionários pediram R$50 de propina ou “regalo” como disseram. Nós questionamos tal “regalo”, já que eram funcionários do governo, mas disseram que “lá” era assim. Como estávamos perto do Brasil e não queríamos problemas, demos R$10 cada, viramos as costas e deixamos ambos resmungando.
Fronteira Argentina/Paraguai - e sua famigerada imigração Paraguaia
Depois do problema na fronteira com o Paraguai, nos motivamos ainda mais para chegarmos ao Brasil naquele dia. Entramos no país por Assunção, uma cidade feia, suja e muito desorganizada.
Seguimos direto para Foz do Iguaçu por uma estrada boa, porém com motoristas irresponsáveis, da mesma forma que encontramos nas BRs.
Após 330km, chegamos o ponte da amizade, passamos direto e entramos o mais rápido possível no Brasil, já que ainda estávamos com raiva pelo acontecido no fronteira anterior.
Hospedamos-nos no bom hotel Portinari, com diárias no valor no valor de R$130 para duas pessoas, wi-fi, café da manhã e estacionamento fechado. No saguão fizemos amizade com o motorista de van Victor, que nos deu várias dicas de compras no Paraguai (disse que valia mais a pena comprar no shopping Cidade Del Este, que apesar de um pouco mais caro, não corríamos o risco de comprar gato por lebre) e se propôs a nos levar e trazer para o tal shopping no Paraguai e também à uma churrascaria por R$30.
Durante a noite fizemos compra no Shopping Cidade Del Este e jantamos na ótima churrascaria Bufalo Branco (R$65 o rodízio). Enquanto jantávamos decidimos conhecer as cataratas pela manhã e seguir até Campo Mourão à tarde.



27ºDIA – FOZ DO IGUAÇU – CATARATAS DO IGUAÇU – CAMPO MOURÃO.

DATA: 14MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 370Km.

Acordamos sonolentos neste dia e saímos para ver as cataratas por volta das 11h. Chegamos ao Parque Nacional do Iguaçu por volta de meio dia, paramos as meninas no estacionamento e compramos os ingressos (estacionamento no valor de R$15 e ingresso R$25,10).
Pegamos o ônibus que nos levou aos mirantes para tirarmos muitas fotos, principalmente por ter chovido a noite e as cataratas estarem bem cheias.
Cataratas do Iguaçu
Como tínhamos estrada para percorrer a tarde, saímos do parque as 13h e por volta das 14h saímos do hotel com destino a Campo Mourão.
A estrada que liga Foz do Iguaçu a Campo Mourão foi privatizada, portando é pedágio que não acaba mais, a cada 40 ou 50km tem um, e com preços que variam entre R$4,50 a R$6,10. O detalhe péssimo é a pista ter faixa de rolamento simples, mesmo com tantos pedágios, nos dando a sensação de estarmos sendo extorquidos na cara dura.
Após 315km de muitos pedágios, chuva forte e “pista meia boca”, chegamos a Campo Mourão por volta das 20h (nosso ritmo foi lento em razão do vários pedágio e da forte chuva). Hospedamos-nos no hotel Loydi, com diárias no valor de R$65, wi-fi, café da manhã e estacionamento fechado e coberto.
Fomos jantar na churrascaria Costelão de Campo Mourão, com rodízio no valor de R$25, local simples, mas excelente atendimento. Quando retornamos ao Hotel Loydi, adivinhem o que vimos no estacionamento? As duas motos dos mineiros. Fomos até o recepcionista e perguntamos em que quarto estavam os mineiros e fomos até lá. Com filmadora em mão, batemos na porta e quando perguntaram quem era, respondemos: “É daqui que pediram uma pizza de pão de queijo”. Abriram a porta , nós quatro caímos na gargalhada, tal era as coincidências. Conversamos mais um pouco e fomos dormir, pois no dia seguinte chegaríamos em casa.



28ºDIA –CAMPO MOURÃO - SOROCABA.

DATA: 15MAR13.

DISTÂNCIA PERCORRIDA: 650Km.

Acordamos às 7h e com um misto de desânimo e alegria, pois a expedição estava acabando, mas estávamos com saudades de nossa família.
Fomos tomar café e nos encontramos com os mineiros, conversamos mais um pouco, juntamente arrumamos as motos, nos despedimos e desta vez para valer.
Saímos do hotel por volta das 9h com destino a Sorocaba. No trajeto até Ourinhos tivemos o mesmo dissabor, vários pedágios (inclusive o último a menos de 5km da divisa com o Estado de São Paulo), com a estrada nas mesma condições do dia anterior, mas com chuva fraca.
Chegando na cidade de Ourinhos seguimos sentido Rod. Castelo Branco e só paramos no posto RodoServ para comer um lanche. Faltavam somente 120km e a euforia tomou conta de nós, pois queríamos compartilhar nossas experiências com amigos e familiares.
Encerrando a Expedição Povos Andinos - ao fundo prefeitura de Sorocaba/SP
Por volta de 19h chegamos à prefeitura municipal de Sorocaba, para tirarmos a última foto da “Expedição Povos Andinos”. O pôr do sol nos ajudou, tiramos uma bela foto, nos despedimos e seguimos para encontrar nossos familiares.

Um grande abraço e até a próxima aventura.

“Sou louco? Talvez! Mas sou um louco feliz!”